Publicado por: Joana Sanches | 21 de Janeiro de 2014

El Frío!

Buenos dias,

Mais uma semana em Alcalá 😉 Esta semana foi muito calma e de bastante trabalho 😀 Por isso fiz o post em capítulos, para ser mais fácil 😛
Trabalho:
Continuo a fazer um trabalho de calibração e a conhecer cada vez mais o modo de trabalho e as pessoas.
Tive a primeira reunião de departamento em que é feito um ponto de situaçao de todo o trabalho e em que cada pessoa deve falar do que está a desenvolver. Mais uma vez tive que recorrer ao portunhol para salvar o dia, mas no geral correu bem e consegui entender a maior parte 😛
No entanto, foi uma semana de despedida, porque um dos técnicos do laboratório reformou-se na 6a feira. Foi um crescendo de tristeza e de emoção ao longo da semana que , que culminou num momento muito latino protagonizado pelo José (o técnico) e a empresa toda. Fomos chamados ao auditório principal, com direito a discurso do director da cepsa, dos chefes, dos colegas, um vídeo, muito carinho, emoção e choradeira. Depois foram todos almoçar e fazer a verdadeira fiesta española 😛
Malta beata:
Ainda na 6a feira pude participar pela primeira vez no grupo de jovens da paróquia aqui perto de casa (Nssa Senhora del Val). São apenas 5 jovens, que também são catequistas e estivemos a falar sobre o tempo do Natal e sobre uma exposição que esteve aqui em alcalá sobre o Santo Sudário. Estivemos ainda em oração e até pude tocar guitarra, foi óptimo e fui muito bem acolhida quer pelo grupo, quer pelo padre.
Depois ainda tive oportunidade de provar as primeiras tapas, numa conversa animada sobre Taizé, JMJ, paróquias e escuteiros. Apercebi-me que aqui nao há quase escuteiros, o que alguns conhecem nao sao católicos, e por isso ficam muito interessados em saber mais, perceber como funcionamos, o que é fantástico, porque adoro falar de escuteiros! 😛
Fiquei encantada com as pessoas e com a possibilidade de participar activamente na comunidade, de estarmos juntos, conhecer alcalá e as zonas aqui à volta. Ficou ainda o convite para a catequese no dia seguinte e a missa das crianças.
No dia seguinte lá fui à catequese, bem diferente do que estamos habituados, várias idades (entre os 9 e 14), sem um grande programa/catecismo, mas o tema do dia foi interessante e as crianças gostaram e queriam saber coisas sobre Portugal 😉 Ainda tive direito a bolinhos e festa de uma das miúdas que fazia anos!
No domingo fui à tal missa das crianças, cujo ensaio do coro começou tarde (como tudo em espanha :P) e tinha 4 guitarras (3 eram miúdas que estão a aprender) e 3 vozes! Fui confuso, mas tive a agradável surpresa de conhecer parte das músicas, tipo “Deus está aqui”, “Como o Pai me amou”, “Santo”, entre outras. Como presente envenenado quiseram que lesse em Espanhol, foi uma loucura, mas não correu muito mal e ainda aproveitei para aprender um pouco mais a pronuncia.
Aventuras:
ImagemForam muitas aventuras para um fim-de-semana só, considerando a chuva e o frio que tem aumentado exponencialmente! Foi precisamente com esse frio que começou a semana, em que às 8h15 marcava 0 graus!
 Para fazer face ao frio as colegas portuguesas levaram-me a uma super promoçao de Montaditos, que como se vê na foto sao uns paes pequenos, e que levam o mais variado tipo de coisas lá dentro, desde salmao fumado, salsichas, queijo, pimentos, a mistura disso tudo! Estivemos numa bela tarde de montaditos que culminou com a chegada de uma outra portuguesa, que esteve a fazer o estágio aqui e que veio de visita.
 ImagemEla adora Alcalá e levou-nos a mais um café tipicamente espanhol e ao sítio mais estrondoso daqui… O armazém das gomas! Já na zona industrial há um armazém, que se entra por uma pequena porta e depois começa o paraíso das gomas e aperitivos! Algumas sao vendidas ao Kg outras em sacos de 2Kg e ainda têm amêndoas, pistachos, amendoins em sacos de 5 e 10Kg, a loucura!
O resto da semana fica para o próximo post, com a aventura marcada e prometida para 5ª feira… A “audiência” para ter o número de identificação para estrangeiros a residir cá! Supostamente algo que é na polícia, marcado com um mês de antecedência que me ocupará uma manhã… Como dizem os brasileiros: Me aguardem!
Publicado por: Joana Sanches | 13 de Janeiro de 2014

A aventura do portunhol

Estou de volta!

Parece que a vida me pregou mais uma partida e me lançou um novo desafio! Depois de terminar o curso estava a trabalhar em investigação quando me propuseram (da parte do IST) fazer um estágio no Centro de Investigação da CEPSA, em Alcalá de Henares (Madrid).

Sou sincera, não esperava nada mudar agora de país, muito menos com tão pouca antecedência… Assim, de um momento para o outro, sem preparação, sem grande tempo para despedidas e conversas, vim de “de armas e bagagens” para a terra “nuestros hermanos”, com o objectivo de, em 6 meses, aprender ao máximo sobre o trabalho de investigação que fazem aqui.

Felizmente tive várias grandes ajudas, entre as quais pude vir de carro, o que permitiu trazer a roupa, a tralha e bicicleta 😉 A outra grande ajuda foram as colegas do IST que fazem aqui estágio curricular enquanto alunas, e me ajudaram com o quarto (estou na casa de duas delas) e com toda a adaptação inicial à CEPSA e ao choque e milhões de perguntas que tive, nomeadamente sobre esta pequena cidade da qual nada sabia.

Cheguei aqui na véspera do dia de Reis e apenas conheci uma das companheiras de casa, uma Alemã a fazer erasmus, e que me presenteou com um fluente espanhol em detrimento do confortável inglês que estava à espera. Bem, lá tentei começar com o Portunhol e fui-me entendendo. Depois, mais uma vez o Portunhol salvou o dia com o senhorio e o seu rapidíssimo espanhol 😉

No dia seguinte, e como era feriado aproveitei para iniciar o primeiro empreendimento: a ida para o trabalho de bicicleta! Qual o problema? – Perguntam vocês. O problema é que a cepsa está junto ao campus universitário novo que se localiza numa colina (P1), do outro lado da autoestrada que passa junto a Alcalá (P2) e da linha do comboio (P3). Somando a tudo isto, a minha casa está a cerca de 5km da cepsa (P4). Pensando em cada Px não seria problemático, a questão está no Ptotal. Resumindo, fui experimentar ir até lá, testar as minhas capacidades: de passar um túnel (comboio), percorrer o bairro, passar e subir a ponte (AEstrada e colina) e percorrer todo o campus! E consegui! Foi difícil e os primeiros dias custaram (a subida ainda custa muito) mas é óptimo ir trabalhar de bicicleta.

Como só comecei a trabalhar na 4a feira, tive ainda mais tempo para as compras iniciais e claro, para mais uma aventura… Fui a uma grande superfície, um pouco longe do centro da cidade, daquelas tipo “Retail Park”. Quando finalmente consegui chegar aproveitei e comprei as coisas básicas e essenciais, mas calculei mal a capacidade da mochila e da bicicleta. Resultado: Eu com uma mochila a abarrotar sentada na bike, sacos pendurados nos dois lados do guiador a fazer um número de equilibrismo ao longo de alguns Km’s.

Em relação ao trabalho (sim, foi para isso que vim) descobri que na base os espanhóis são relaxados! Tinham-me mandado estar às 8h, mas a essa hora, parte do meu departamento ainda não estava. Mais! O meu cartão de acesso ainda nem existia (“Mas sabe, foi o Natal, as festas…enfim…não se preocupe que é normal!”). Acabei por ir tratar da integração começando pela farda! OMG! What!? Farda!??? Fiquei parva, não se usa só bata de laboratório, mas uma farda completa, dos pés à cabeça!

Acabei por conhecer o técnico que laboratório que me apresentou todas as pessoas e que tem sido impecável comigo e um grande apoio. Conheci ainda os responsáveis da minha área, mas que não sabem bem o que vou fazer. Atribuiram-me um trabalho, associado à calibração de um equipamento (um pouco secante) que é o que tenho feito até agora. Só conheci a chefe do departamento na 6a que foi super simpática e que explicou tudinho.

Entretanto há algumas curiosidades que adoro na cepsa.

1) Hora Sagrada

A hora do desayuno! Entre as 10h30 e as 11h30 temos que arranjar um bocadinho para ir à cafetaria da empresa. Durante esse tempo há lá sempre alguém para conversar, café e bolachas. E por isso estejas a fazer o que for, certamente arranjas um bocadinho para ir lá! Melhor, quando fazes anos ou sais da cepsa tens que levar comida para a malta desayunar, por isso há por vezes grandes travessas com bolos, ou salgados típicos.

2) A aldeia

Todos se conhecem e sabem bastante da vida de todos! Em especial, alguns chefes e responsáveis gostam de ir aos outros departamentos saber o que se passa, quem lá trabalha, onde vive, o que faz da vida, etc…

3) Bicicleta

95% das pessoas vivem em Madrid e vêm diariamente de carro para a empresa, por isso ficam completamente estupfactos com o facto de viver em Alcalá (para eles um pouco fim do mundo) e de andar de bike fazendo aquela subida diáriamente. Isto gera invariavelmente o comentário: “Então e hoje, vieste de bici? Correu td bem?”

4) O Portunhol

Teoria: Não sei falar espanhol! Nunca tive aulas!Prática: Falo portunhol!

A realidade é que eles NÃO falam inglês e não gostam de o fazer! Mesmo que o façam não é possível entender, o que faz com que não tenha outra opção se não falar portunhol. Segundo eles falo bem (tipo, entende-se) com um sotaque andaluz porque não abro o suficiente a boca 😛 Claro que como isto é apenas portunhol há milhões de termos que não conheço e estou constantemente a aprender palavras novas. Inclusivamente há um chefe que todos os dias me corrige a pronuncia, o que me obrigou a repetir a palavra Gracias umas 50 vezes! No entanto a verdade é que me entendem e tenho conseguido expressar-me. Aqui todos elogiam a capacidade dos portugueses no geral de falarem espanhol, assim como inglês e alguns ainda francês!

Ao longo desta semana pude cIMG_20140110_155131onhecer um pouco o centro de Alcalá. É lindo e tem um património arquitectónico vastíssimo, desde os romanos, árabes, judeus até à idade média com os edifícios fantásticos que preenchem o centro histórico. A maior parte do centro está cheio de antigos conventos e colégios, onde hoje estão instaladas as sedes das faculdades de Alcalá, nota-se fortemente o sinal do Bispado e da influência religiosa nos edifícios e nas ruas. Aqui são muito orgulhosos da cidade e do facto de Cervantes ter nascido aqui. Em todo o lado há referências a ele e inclusivamente recriaram a casa onde nasceu, na via principal, que ainda mantém os traços medievais.

IMG_20140110_154613Aventurei-me ainda na zona do campus que é uma colina onde “plantaram” os edifícios universitários, algumas residências, um hospital, um jardim botânico e algumas empresas (numa zona industrial afastada).  Como é basicamente um monte ermo, durante o dia vejo imensas pegas-rabudas que enchem os jardins (são aves majestosas e pouco amistosas). IMG_20140110_150117

No campus há ainda um grupo de póneis, que junto ao campo de futebol fazem as delícias de quem passa, correndo e brincando uns com os outros. Quando vou de manhã, como ainda é de noite, vejo coelhos, aves de rapina e a maravilhosa montanha que é a fronteira da cidade, junto ao rio Henares.

 

Foi o fascínio pela montanha (é a foto que está na capa do blog e que faz com que mantenha o nome) que me levou ao passeio de domingo. Pensei em fazer um percurso pela montanha que todos os dias vejo ao longe e que queria conquistar. Depois da missa saí decida a fazer o caminho previamente decidido, mas comecei logo mal, porque o parque que me levava junto ao rio não permitia passar para o lado da montanha.

Assim percorri todo o parque numa luta mental com o rio que me separava do meu objectivo. Mas depois de caminhar até ao final da cidade lá encontrei a tão esperada ponte, no entanto o cansaço já era algum… Mas decidi continuar.

Ao passar a ponte deparei-me com outro parque, o parque natural de Los Cerros! Afinal a montanha tem nome, percursos assinalados e famílias a fazer pic-nics! Com uma nova motivação segui pensando sempre em conquistar a montanha. O trilho foi-se estreitando e subindo cada vez mais, já via toda a cidade de Alcalá e estava cada vez mais pequena. Encontrei o antigo castelo árabe de onde a vista era fantástica e pude almoçar calmamente tentando recuperar as forças. Fui seguindo, passando de cume em cume esperando por um trilho que me levasse de novo para baixo, para junto do rio (como tinha visto no mapa), mas nunca mais aparecia! Depois de alguns encontros com passáros, lama, trilhos íngremes e estreitíssimos comecei a ficar muito cansada, mas felizmente voltei a encontrar um caminho “normal”. Esse caminho só tinha um senão, levava-me para longe do rio, direcção oposta de Alcalá, mas segui com confiança que depois do caminho vem a estrada e da estrada vem a casa… Pensando nisso e depois de quase 6 km de caminho “normal” e muito cansaço voltei ao início do parque e daí segui para casa pecorrendo Alcalá. Resultado do dia: +/- 27 Km e uma noite muito descansada.

Outro highlight da minha semana foi a missa, consegui com a ajuda de um e-mail da diocese encontrar a paróquia mais próxima, cuja igreja é praticamente invisível. A entrada está entre duas lojas, numa avenida super movimentada e a porta tem duas cruzes e um placard. Fui à missa e estava cheia, um salão grande (onde deveria ser uma loja) com uma decoração simples, altar em madeira trabalhada, moderna e bonita. Um coro em que toda a assembleia canta por um livrinho e um padre com um sorriso imenso que fala devagar o suficiente para entender tudo. Mas a maior surpresa foi no fim quando o padre cumprimenta toda a gente e acabámos por ficar a falar. Foi uma óptima recepção, ficou muito interessado e já me propôs participar num grupo de reflexão e oração, adorei!

Bem, depois desde gigante post espero ter paciência e tempo para ir fazendo alguns posts (mais pequenos) e prometo que quando a minha internet colaborar colocar fotos neste post.

Até à próxima montanha 😛

Publicado por: Joana Sanches | 2 de Novembro de 2009

Já se escuta a montanha…

E já passou outra semana…e que semana! Como prometido vão ainda quentinhas as novidades!

Depois de saber que estaria na Áustria durante o encontro de Taizé em Pécs começou o bichinho de lá ir… Assim, já fora do prazo (á Portuguesa), consegui os bilhetes de comboio e inscrevi-me.

A viagem era longa e complexa (mais de 8h) mas a ansiedade e expectativa de um encontro era maior. Saí de Leoben 5ª feira de madrugada ainda com aqueles 2 graus negativos a congelarem a cara. Surpresa enorme, quando chego á estação, o meu comboio estava atrasado 40min e assim ia perder o meu próximo comboio em Vienna :S A partir daqui, foi sempre a perder comboios (eu sei que são grandes, mas pronto, falam alemão LOL) Mas pronto, depois de horas numa estação altamente suspeita em Budapeste e de muitas horas de atraso lá cheguei a Pécs, no sul da Hungria.

Foi óptimo, todo o ambiente de encontro, de Taizé, de comunidade, rever alguns irmãos, ficar numa família… Apesar de toda a falta de experiência em organização de encontros, o esforço dos Húngaros foi enorme e em muito parecido ao típico espírito bem familiar do desenrasque, que sempre dá resultado 😉

A cidade (Pécs) é bastante interessante, com imensa história e monumentos a não perder, desde uma antiga mesquita (circular) convertida em igreja, á parede dos cadeados e sem dúvida a Catedral. A acrescentar a todos estes atractivos teve o factor encontro, com todas as pessoas fantásticas que conhecemos, que no meu caso, foi um grupo espectacular de Viena que organiza semanalmente orações e que me acolheu. Também os workshops eram imperdíveis, danças húngaras, Gospel, espiritualidade cigana, resumindo, foi dificílimo escolher… As orações foram ricas e apesar do complicado que é cantar em Húngaro foi bom sentirmo-nos envolver por aquela massa de jovens e famílias que se juntava diariamente para cantar em plenos pulmões aqueles cânticos imperceptíveis. Foi apaziguador o ambiente de oração e emocionante o ouvir o nome do nosso país quando, como habitualmente em Taizé, uma criança enuncia os país presentes nos encontros. Portugal esteve lá 😀 É reconfortante o gesto daquele estrangeiro ao nosso lado na oração ou mesmo aquele abraço que fazia tanta falta. Uma nota: O irmão Alois mandou cumprimentos para Portugal, em especial para S.Nicolau.

 

O melhor foi a família, que para os estrangeiros como eu, já não sabem o que é comidinha da mamã ou pequeno-almoço á espera mal se acorda… Foram uma família superaltamentefantabulásticamentespectacular! Desde o jantar sempre tradicional á nossa espera todas as noites (e ela sabia que a comunidade nos dava comida), aos bolinhos quentes ao pequeno almoço, aos filhos que faziam um esforço sobrehumano para traduzir o alemão da mãe para inglês e que estavam lá sempre…no último dia levantaram-se ás 6h30 para me levarem a pé até á estação.

Resumindo: Para mim a Hungria é um país com um património fantástico e pessoas bastante afáveis, infelizmente um país com algumas dificuldades, que se fazem notar no desleixo com esse mesmo património, nas pessoas e na sua qualidade de vida. Pécs vai ser capital europeia da cultura 2010 e daí estar muita coisa a mudar, mas sente-se, como é normal num país como este, muita apreensão relativamente ao que aí vem… (nomeadamente á possibilidade de aderirem ao Euro)

Na minha viagem de regresso consegui ainda visitar um pouquinho de Budapeste e acabar de ler o meu último livro… Pois, agora já não há mais literatura em Português L. Para continuar com as notícias menos positivas, ao regressar esperou-me uma semana de aulas, em vez do trabalho de campo, que tal como a cadeira correspondente foi cancelado por falta de alunos.

A minha última aventura, e para terminar teve lugar este sábado, depois de mais um jantar com o pessoal erasmus que deu início a mais um fim de semana comprido (dia 2 de Novembro é feriado na Austria J). A idea surgiu da minha colega Marie da R.Checa em irmos a uma vila próxima, mas muito bonita neste sábado, o único senão era que ela queria ir de bike… Mas pronto, ela lá nos convenceu (a mim e á Anna) que eram só 15Km até lá em estrada boa e que o caminho era muito bom! Aceitámos! Asssim, este sábado fiz 40km de bike pelos campos Austríacos da Styria com muitas montanhas, vaquinhas, cavalos, árvores, resumindo, uma paisagem brutal! Foi realmente um desafio, aquelas subidas e descidas, o esforço de nos superarmos mas valeu muito a pena. A vila é tipicamente Austríaca com arte em cada canto, o habitual castelo/fortaleza no topo e um ambiente positivo.

Agora, espera-me mais uma semana, normal, sem muitas emoções, que apenas terá uma nova baixa de temperatura e talvez traga de vez a neve que todos esperam…

De regresso a Viena :DA minha família e a Ester (a minha colega Alemã)

A parede dos Cadeados

 

 

 

Publicado por: Joana Sanches | 22 de Outubro de 2009

Neve…

Bem, já passaram três semanas! Esta semana que passou foi bastante mais calma e rotineira que a anterior. Vida de estudante daquela de casa–escola e vice-versa. Pois, não imaginam, eu também não, mas apesar de tudo ainda houve alguns apontamentos interessantes.

O primeiro, a neve! Aqui já nevou, e não imaginam a figura infantil da minha pessoa ao ouvir num matinal murmúrio: “Oh…Joana, it’s snowing!” a saltar da cama como se houvesse fogo 😀 Depois, foi pegar no casaco, calças, correr escada abaixo e andar pela rua, que nem os miúdos, a correr, mandar neve e admirar tudo branquinho á minha volta. Nos dias anteriores, pelo frio já se adivinhava, por aquela chuva já tão gelada, mas é sempre fantástico ver a neve cair 😀

Agora que passámos o capítulo “Neve”, já podem ver que isto aqui não está tempo para praia e que o frio já começa a apertar e por isso já se vêm luvas, gorros e todos esses acessórios. São precisamente os acessórios que me levam á próxima curiosidade. Estão a ver aquelas “coisas” para os ouvidos que parecem os phones antigos!? Eu nunca tinha pensado na sua utilidade (e realmente no nosso país são totalmente inúteis)… Pensava mesmo que era uma mariquice, mas agora… Quero uns para mim!!! Este frio gélido entra pelas orelhas adentro e para além de ficarem congeladas, o vento faz uma dor de ouvidos (não desejo a ninguém)… São dificuldades da vida de quem vive a 600m de altitude a tem que ir de bicicleta para todo o lado.

Esta semana estive mais uma vez no ensaio do coro da faculdade e digo-vos, eles são bons! Para além de valer créditos (3 ECTS’s válidos para a licenciatura…só nestes países, não?!) temos uma professora profissional e que ensina bem. Há o entrave claro entre mim e as músicas, a começar que são em alemão e muitas no dialecto da Styria, mas também pela minha falta de qualidade 😀 Mas o balanço é muito positivo, tenho aprendido uma série de músicas académicas dedicadas á vida mineira e a Sta Bárbara (padroeira dos mineiros) , com letras fantásticas, em Novembro eles cantam com a orquestra da faculdade (sim, a fac tem uma orquestra composta por alunos que também vale créditos) e esta semana aprendi o “grito” das montanhas…o Yodeling!

Aparte da vida em Leoben, que é sempre calma e fria, os fins-de-semana aqui não são calmos, são parados! Não se vê ninguém, parece que toda a humanidade hiberna desde 6ª á tarde até 2ª feira. Para combater mais um fim-de-semana de pasmaceira o grupo do pessoal “Erasmus” decidiu ir a Graz (a capital do distrito em que me encontro, e diga-se, a única verdadeira cidade do distrito). Fomos nos carros de dois “Erasmus” e como é óbvio perdemo-nos, o que é normal, tendo em conta o atrofio que são as “auto-estradas”, as entradas e saídas aqui. A cidade em si é bonita, arranjada, tudo sempre limpo, lugar para bikes e edifícios fantásticos (como todos os locais na Austria). Ah…e ao almoço pude finalmente estar num restaurante super típico a provar a verdadeira salsicha Austriaca! Fantástico!

Surpreendentemente, exactamente este fim-de-semana, havia vida em Leoben, pelo menos entre as 11h e as 17h…e perguntam vocês porquê…Feira do Chocolate!!! Foi espanto e surpresa quando ao chegar de Graz vemos gente! Era uma feira pequena, mas em que podíamos provar montes e paletes de amostras de chocolate, diferentes quantidades de cacau, com especiarias, com chilli L, quente, em crepes…enfim, foi um abuso de chocolate.

Como se não bastasse, para combater o tédio e prevenir um domingo de paragem cerebral jantámos todos juntos com algumas especialidades regionais, como vem sendo hábito… J

Para domingo estava reservada a missa, que desta vez demorou já 45min, e tinha um sr a tocar órgão, mas o saldo mantém-se em 20 pessoas… que tristeza, nem comento…

Para terminar um pequeno apontamento: Tive uma aula em Alemão! Socorro! Foi mau… cheguei tarde pq não encontrava a sala (aquilo era um labirinto) e não pude avisar o professor que estava interessada na aula, mas que não tinha alemão suficiente para uma aula. O que aconteceu foi que lá ouvi a aula toda com cara de monga (estavam só 12 pessoas) , com ppt’s em alemão e no fim fui falar com ele. Espanto! Ele achava que eu era Austríaca, a minha aparência era tal e qual a do resto, dizia ele! Depois não parava de pedir desculpas porque estava a falar mal, demasiado rápido e no dialecto daqui… Foi um momento engraçado, ele não queria acreditar que eu não era de cá e depois só pedia desculpas.

Para a próxima semana fica agendada a minha viagem a Pécs, na Hungria… Aguardem o próximo episódio 😀

Publicado por: Joana Sanches | 12 de Outubro de 2009

A 2ª semana

Pois é, faz hoje exactamente duas semanas desde que cheguei, mas vamos focar-nos na última semana.

Depois de um fim-de-semana recheado de actividade física, domingo tentei ir á missa, mas infelizmente bati com o nariz na porta, era qualquer coisa como um horário de “Verão” e portanto a missa tinha sido mais cedo e já não havia mais nenhuma na cidade…

Na segunda-feira, para minha grande alegria, o Gonçalo e o Hugo, que tinham estado na Oktoberfest iam a Salzburg, e portanto, nada melhor que uma boa companhia Portuguesa para ver mais uma cidade Austríaca. Depois de horas de comboio ( o que me safa é que os comboios são óptimos e têm fichas para ligar o pc 😀 ) a minha primeira avaria na linha e 2 horas de atraso lá cheguei a Salzburg. É deveras uma cidade lindíssima, mas deu para perceber que já estou uma menina do campo, já achei muito confuso para a minha cabeça de Heidi da “aldeia” de Leoben…LOL! Para além disso, novidades, já sou imigra, já não consigo falar português decentemente, acho que já vivo numa maison e vou de vacances a Portugal 😛 A realidade é que foi óptimo estar com eles e voltar a ter um cheirinho de casa. [Um a parte: O papa vai mesmo a Fátima em Maio?! ]

O resto da semana foi marcado pelo inicio das aulas, da chuva e de um pouquinho de frio… Ainda não comecei as aulas todas, sim, porque aqui as aulas têm um calendário esquisito (na 1ª semana podem ser á 2ª feira, mas na semana seguinte posso não ter aulas, na outra semana podem ser á 5ª feira, é conforme…:S). Mas já tive algumas e felizmente foram todas em Inglês e com professores muito bons, explicam bem e são simpáticos. Um deles está numa cadeira de rodas, mas parece já ter conhecido o mundo, tem sempre montes de exemplos e nada o pára. Outra das cadeiras vai consistir num trabalho de campo, eu e a minha colega finlandesa (não há mais alunos 😛 ). Ah…para terminar o capitulo escolar, aqui os exames são escritos (onde estão os exercícios práticos) e ORAIS (com a parte da teoria)!!!

Esta semana houve a maior feira de Styria, aqui em Leoben. Chama-se Gosser Kirtag e é uma mistura, de feira do relógio, com arraial do bairro e mostra de artigos turísticos. Traduzindo: desde as normais roupas da feira, aos artigos em 2ª mão para á cozinha, passando pelas demonstrações dos milagrosos artigos multifunções para a cozinha, até aos doces, comidas e roupas típicas da região. Como podem ver nas fotos, aqueles doces eram autênticas bombas calóricas, mas fantásticos diga-se. Mas o mais giro é que nestas ocasiões as pessoas vestem os trajes típicos da região, sem qualquer vergonha. Imaginem nós nos santos populares ou na feira do livro com o traje de saloias?! Falta de orgulho talvez…

Na 6ª feira esta cidade fica vazia, é uma tristeza, mas não se vê muita gente por aqui e por isso o grupo dos erasmus fez uma jantarada aqui na nossa residência. Nada de muito típico, excepto as maçãs no forno alemãs e o prato húngaro, mas deu para estarmos juntos um bocadinho e animar a malta, porque a chuva não ajuda muito.

Desde 5ª feira que chove e quando a chuva vem, por aqui, é com força, trovões, relâmpagos e tudo mais. Assim, o fim-de-semana não foi excepção, e assim foi de estudo…L Aqui, todos torcem é que fique ainda mais frio, isto porque agora já não está assim um tempo muito agradável, pelo menos para mim (LOL)… para em vez de chover…NEVAR!!!

Para terminar o fim-de-semana nova tentativa para ir á missa. Desta vez novo local, outra hora, igreja bonita no centro da cidade e decepção! Cheguei 5 minutos atrasada e já ia no evangelho! 30 minutos depois já estava a sair… Durante a missa estavam 20 pessoas na igreja, e eu devia ser a mais nova, para além de não perceber nada do que eles dizem, era alemão da Áustria, mas pior, o dialecto daqui da zona, ah, e nem coro de multivelhas, nem monovelhas, nem nada. Resumindo, á saída parecia que vinha de um funeral, daí que peguei na minha bela bicicleta (Já tenho uma bike só para mim) e fui a uma das zonas da cidade onde ainda não tinha ido, o jardim asiático, pena estar chuvoso, porque aquilo tem que se veja, talvez esta semana.

Desculpem o testamento, mas parece que escrever uma vez por semana torna isto comprido. Para a semana vou ver como vai ser. Novamente, para os não leitores, as fotos (como costume, o resto das fotos está no meu picasa):O prato húngaro: Paprikás krumpliDa esq para a dir: Anna, Franci, Dia, Fabian, Yaroslav, Checo, Memet e  SadyieO parque de bikes da minha residência

Publicado por: Joana Sanches | 4 de Outubro de 2009

Olá!

Bem…já que me ofereceram isto (a afilhada Marta e a mana Diana), terei mesmo que colocar aqui qualquer coisa. Como não tenho grande jeito para escrever e não vos quero maçar com pormenores e pessíma escrita penso que vou optar essencialmente pelas fotos.

Aqui vai um pequeno resumo da 1ª semana:
Estou numa pequenina cidade Austriaca da Estíria chamada Leoben. Aqui tudo gira bastante á volta da Universidade (única universidade Austriaca não situada numa capital de distrito). Esta universidade é muito antiga e originalmente apenas com os cursos de Minas e Metalurgia, fornecendo os profissionais para a exploração das enormes montanhas que me rodeiam.

A minha semana pode resumir-se em adaptação:
Ao facto de ter que andar Km’s para qualquer local paraonde queira ir (ou isso ou bicicleta, que ainda não tenho);
A que o tempo muda imenso, tanto está imenso frio e pareces esquimó ao lado dos teus colegas que estão de t-shirt, como começas a caminhar e com o calor tb já estás de t-shirt;
A que nada está traduzido para inglês…o Alemão é tão lindo e imperceptível 😦
As lojas fecham todas entre as 18h e as 20h
As festas começam ás 22h30…e lá para a 1h eles já estão bêbados e música já não é nada de jeito…
Mas no fundo, têm uma vida super saudável, calma, organizada, sabem divertir-se e curtir a cidade e a natureza.

Quando cheguei estávamos a contar ficar num apartamento atribuido com a ajuda da universidade que mandou uma rapariga para nos receber na estação de comboios para nos levar a casa, mas só depois de quase 3 km com 20 Kg com bagagem ás costas percebemos que iamos ficar numa residência,que como podem ver, é num edificio típico…o que parecendo muito bonito faz com que viva num quarto com chão de madeira que range a cada passo, que não tinha qualquer roupa de cama ou utensílios de cozinha e ainda que teria de partilhar o quarto com a minha suposta colega de apartamento (Anna, a filandesa;) )

 
No dia seguinte percebemos que a burucracia deste país chega bem para a Portuguesa. Papeis para a câmara, para a Polícia, para a faculdade, para a residência, para o cartão do comboio, para ter net na fac e em casa…e TUDO em Alemão para preencher…ai o dicionário…
Depois de dias a preencher papeis, de montes de problemas com a net que não queria funcionar, de pessoal anti-social, que n fala inglês e de muitos Km percorridos e bastante desânimo, lá conseguimos encontrar o responsável do piso que (um bocado louco) nos tirou mil dúvidas e deu uma ajuda preciosa para nos conseguirmos integrar e percebebermos como é que por aqui tudo funciona.

Depois de finalmente termos o mínimo de condições em casa (incluindo a net), a maior parte dos papeis tratados o ânimo aumento e nada melhor que a 1ª festa para ajudar e perceber o ambiente estudantil.
Não foi fantástico, confesso, vá, foi fraquinho, mas deu para conhecer melhor os outros erasmus (+/- 10 no total apenas, LOL), conhecer alguns estudantes locais e animar!

Para terminar a semana de uma forma óptima, nada melhor que um convite para Hiking ( nosso responsável de piso convidou-nos)…sim…eles não sabem subir montanhas sem ser a pé! Até porque sabem que chegando ao topo têm um cafézinho super quentinho, onde inclusive podem pernoitar (café que só pode ser abastecido por helicoptero!) Pois…o problema é que eu e a Anna (roomate) não sabíamos isso e pensámos numa pequena caminhada de montanha…fraquinhas! A dada altura, subiamos 50m, já estávamos a arfar, a perguntar quanto faltava para o topo sentadas no chão a beber água…mm fraquinhas!! Mas conseguimos subimos 1000m até ao topo da montanha! Que vista! Realmente vale a pena e depois de algum tempo a descansar e provar óptimas iguarias austriacas, hora de descer que o pôr-do-sol está aí. Um desafio cumprido que valeu muito a pena, mm com as dores 😛
Para terminar, uma curisidade: Vimos uma família inteira (3 adutos e 3 crianças que fizeram o mm q nós, e segundo os nossos guias…é normal!)

Agora as fotos, para aqueles que, como eu provavelmente, n têm paciencia para ler tudo! (para a semana já vai ser mais pequeno):

Publicado por: Joana Sanches | 2 de Outubro de 2009

Surpresa!

Pois é… A nossa escuteirinha Joana foi lá para a montanha por um ano inteiro.

Aqui será onde ela postará todas as suas aventuras e coisinhas giras que fará nesta nova experiência que é Erasmus. Também poderá postar algumas inquietações e chamar nomes a todas as pessoas que conhece, mas é para isso que isto serve. Para desabafar! Para dar notícias! Para matar saudades!

Esta é uma prenda que a eu, Marta, e a minha irmã, Diana, criamos para a minha querida e adorada madrinha.

Olha… Isto é para estar actualizado, tá!

Beijos e Abraços,

Marta, a afilhada…

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